sábado, 6 de dezembro de 2014

# Jusepe Ortiz de Camargo:

Reproduzindo informações de Silva Leme na “Genealogia Paulistana”, a família Camargo no Brasil, teve principio em “Jusepe de Camargo”, vindo à capitania de São Vicente no fim do século XVI ( por volta de 1583), filho de Francisco de Camargo e de Gabriela Ortiz, naturais da região de Castella da Espanha. Luis Dias de Camargo e Beatriz de La Peña foram seus avôs paternos.  Nasceu em Castrogeriz, na Província de Burgos, Reino de Castela, Espanha, e desembarcou em São Vicente- S.P., chegado na esquadra de Diogo Flores de Valdes em 1582.

Esta armada tinha como objetivo outra tentativa de colonização da já aventurada Província de Nova Leão, a armada ao se aproximar do litoral brasileiro, teve sérios problemas, tais como doenças, falta de víveres e outras privações. Em Santos, vários
integrantes desta armada, estiveram por ali alguns meses, estreitando as relações com o pessoal da terra, ocorrendo uma grande deserção, quando a armada retornou o seu  curso.

Conta na ata da Câmara de São Vicente, datada de 9 de novembro de 1583, que houve uma tentativa de captura dessas pessoas, através de um mandato expedido energicamente pelo Capitão Mor Jeronymo Leitão, que foi em vão, porque os moradores esconderam os desertores.

É de notar que o prestigio de Jusepe de Camargo era tão grande quanto ao das figuras importantes daquele tempo, tais como Fernando Dias Paes e Antônio da Proença e outros.  

Foi ele político hábil, espírito aguerrido, ardoroso defensor da utilização do braço indígena como escravo, em beneficio dos colonos. Demonstrou possuir um caráter intransigente. Alias, me parece, que este traço tem acompanhado seus descendentes de linha direta há quase quatro séculos. Tudo nos leva a crer que Jusepe de Camargo foi sempre um homem, cujas  atividades desenvolveram-se mais dentro do âmbito cidadino do que propriamente nas lidas do sertão. Esta hipótese se nos configura provável devido seu nome não constar como participante de qualquer das primeiras entradas levadas a cabo, pelo capitão-mor Jerônimo leitão, com a finalidade de reduzir os Índios Carijós.

Jusepe defendeu a escravismo indígena , expulsão dos jesuítas e liderou a organização dos grupos, cuja finalidade era a mineração do ouro e da prata.

 Pessoa de autoridade e respeito em  São Paulo, ocupou cargo de juiz ordinário  em 1611, e seus descendentes, conservaram o seu prestigio, disputaram por muitos anos as rédeas do governo, tendo como opositora a não menos nobre e poderosa família dos Pires ( chefiada por Fernão Dias Paes). Jusepe ( O sevilhano) e Fernão, selaram a paz, com suas assinaturas (doc.), que incluía a obrigação de consertar o Caminho do Mar, encargo que foi assumido e executado por todos os familiares. Jusepe foi casado com Leonor Domingues Carvoeira (que nasceu em 1590 em São Paulo do Piratininga e faleceu em 11/11/1630), descendente de João Ramalho (português, de N. Vouzelas, Viseu, Beira Alta, Pt.) que chegou ao Brasil 1510 (quando Martim Afonso de Sousa aportou em São Vicente, pelas alturas de 1532, foi recebido, por dois patrícios que aqui já se encontravam: Antônio Rodrigues e João Ramalho), falecendo em 1580 em São Paulo, casado com Izabel Dias ( Bartira ou M’bicy = flor) filha do Cacique Tibiriçá ( era chefe da Nação Guaianaz, primeiro índio a ser catequizado pelo Padre José de Anchieta, e batizado com o nome de Martim Afonso Tibiriçá, faleceu em 25/12/1562, hoje enterrado na cripta da Catedral de São Paulo, no Largo da Sé) e Portira. Tibiriçá  era irmão de Arari chefe da Nação Tupi e Carijó, que atacou a Vila de São Paulo de Piratininga. João Ramalho foi prefeito de São Vicente aos 73 anos. Casado em Portugal, jamais dera noticias sua, os jesuítas enviaram carta à Portugal em 31 de agosto de 1553, pedindo que investigasse se é “viva ou morta” a esposa de João,  que quer saber para poder se casar com Bartira e que a mais de 40 anos vive no Brasil e tem dela muitos filhos e filhas (tiveram 11 filhos). O casamento foi celebrado pelo padre Manoel da Nóbrega.




Leonor Domingues Carvoeira (faleceu em 1630 em S.P.) era filha de Domingos Luis Carvoeira, cavaleiro fidalgo (que construiu em 1579 uma capela no bairro do Ipiranga, Nossa Senhora da Luz, que originou o atual Convento da Luz) e Anna Camacho, que era filha Bartolomeu Dias Camacho e Catarina de Ramalho, que era filha de João Ramalho  e Izabel Dias (Bartira), que era filha do Cacique Tibiriçá, chefe da nação Guaianaz, irmão de Cacique Arari, chefe dos Tupis e Carijós que atacou Vila de São Paulo em 10/06/1562. Cacique Tibiriça morreu em 23/12/1562: “ Aquele dia de natal foi de tristeza para os índios. O cacique desde cedinho, estava passando muito mal. O Padre Anchieta a seu lado, empenhava-se de suavizar-lhe os últimos momentos... A indiada, cá fora, não se conformava, e chorava. Os tambores lá longe ecoavam, e a melancolia caiu como um raio: Tibiriçá morrera! A tardinha realizou o sepultamento, com toda pompa, seu corpo foi sepultado no Colégio São Paulo, hoje encontra-se na Cripta da Catedral de São Paulo ( no largo da Sé), vale destacar que foi o  primeiro índio a ser catequizado pelo Padre José de Anchieta e por ele batizado com o nome de Martin Afonso, e prestou  inúmero e relevantes serviços a colonização paulista, casado com Potira,.

Foi Jusepe de Camargo concunhado de Amador Bueno da Ribeira (capitão-mor e ouvidor de São Vicente) - O Aclamado, (do episódio histórico ocorrido em S.P. que demonstrava o descontentamento de alguns colonos com a dominação portuguesa, como forma de protesto criariam um reino independente), que foi casado com Bernarda Luiz, também f.ª do dito Domingos Luiz Carvoeiro, como se vê neste V. 1.º pág. 81. Esta família (bem como a descendência de Amador Bueno, e outras descritas em Tit. Carvoeiros) participa do sangue de João Ramalho, que foi casado com Izabel Dias f.ª do cacique Tebiriçá, como se vê na pág. 48 deste V

Sobre o casal Domingos Luis Carvoeiro e Anna Camacho é necessário registrar que eram pessoas voltadas para as práticas piedosas e muito apegadas a lides de igreja, tendo sido os fundadores de uma capela, cujo orago era Nossa Senhora da Luz, que, com o passar dos anos, deu origem ao atual Convento da Luz (Igrejas de S.Paulo, de Leonardo Arroyo, pág. 3 – 1.  Livro do Tombo da Sé, pág. 15, arquivo da Cúria metropolitana ).




Genealogia Família Cacique Tibiriça
Batizado como Martins Afonso
 


Cacique Tibiriçá                          X   Potira

Isabel Dias (Bartira  = M´bick)    X  João Ramalho
                                                         (chegou no Brasil 1510, + 1580-SP)

Catarina  Ramalho                     X    Bartolomeu Dias Camacho

N. Camacho                                 X  Jerônimo Dias Cortes

Anna Camacho                            X   Domingos Luis Carvoeira

Leonor Domingues Carvoeira    X   Jusepe Ortiz de Camargo
                                                         

Segundo a Biblioteca Virtual, gov. de SP: “Em 1681, São Paulo foi considerada cabeça da Capitania de São Paulo e, em 1711, a Vila foi elevada à categoria de Cidade. Apesar disso, até o século XVIII, São Paulo continuava como um quartel-general de onde partiam as "bandeiras", expedições organizadas para apresar índios e procurar minerais preciosos nos sertões distantes. Ainda que não tenha contribuído para o crescimento econômico de São Paulo, a atividade bandeirante foi a responsável pelo devassamento e ampliação do território brasileiro a sul e a sudoeste, na proporção direta do extermínio das nações indígenas que opunham resistência a esse empreendimento.”



                               Jusepe e Leonor tiveram os seguintes filhos: